segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O Mané é nosso


Uma vitória importante, com as bênçãos do Mané!




No post anterior, falávamos da última vez em que o Botafogo passou por Brasília e jogou no Mané Garrincha, estádio monumental construído para a Copa do Mundo e que, nesse pouco tempo de existência, vem se transformando na 2a. casa do Fogão fora do Rio. A 1a. é o Engenhão, ou seria o Maracanã? 

Naquela oportunidade encaramos o Goiás pelo Brasileirão do ano passado e não fomos muito bem. Empatamos em 1 a 1, com direito a gol contra do zagueiro André Bahia que substituía Bolivar. Esse resultado frustrou os mais de 23 mil torcedores que compareceram ao Mané - em sua grande maioria, alvinegros. Buscávamos a ponta da tabela e patinamos diante de um adversário apenas aplicado. 

Ontem, enfrentamos o Flu em "nossa casa" mas, muito em função da colocação dos dois times no campeonato, quem compareceu em peso foi a torcida tricolor. Em situação confortável na tabela, o Fluminense ocupava a última posição do G4 com 26 pontos, enquanto o alvinegro, em situação preocupante, ocupava a primeira posição do Z4 com 13 pontos. No visual, diria que a proporção era de 3 por 1 a favor deles. 

Foram quase 30 mil pagantes que geraram uma renda de cerca de 2,2 milhões de reais. O Botafogo, como mandante, levou cerca de 600 mil correspondentes a 25% da arrecadação.

Um detalhe que chamou a atenção foi o fato de não haver separação das torcidas. Cada um se dirigiu para o lugar que quis dentro de um dos dois níveis de arquibancadas e nos vimos cercados de tricolores por todos os lados. Parecia um público de Copa do Mundo - colorido e diferente dos padrões a que nos acostumamos a ver no Maracanã, por exemplo. Um público comportado e amistoso com os contrários que poderia ser tomado como exemplo para as torcidas de todo o Brasil que insistem em se digladiar dentro e fora dos estádios. Vi muitas mulheres, crianças, idosos e cadeirantes por todas as áreas. Confesso que fiquei até um pouco constrangido quando ensaiei umas zoações contra eles por ocasião dos gols do Fogão. Mas tudo bem. É melhor que seja assim.

Essa mistura das torcidas maximizou um problema que acontece com os jogos em Brasília. Os torcedores candangos encontram grande dificuldade em entoar seus cânticos sem a presença de de um líder pra comandar, geralmente presente nas organizadas. Espalhados por todos os setores do estádio, ficou difícil do torcedor alvinegro coordenar os cantos costumeiros. Já a torcida organizada do Flu vinda da Rio se concentrou atrás de um dos gols e dali conseguiu cantar mais forte que a nossa, tanto pelo número de presentes como pela presença da figura do "animador". Mesmo assim fizemos bonito - de longe vi as faixas da Botachopp e da Fogoró e a animação que vinha de lá. Tanto que o técnico Mancini ressaltou, em sua entrevista, o apoio dado pela nossa torcida ao time durante o jogo que acabou saindo vencedor. 

Quanto ao jogo, quando o tricolor acordou o Fogão já vencia de 2 a 0 - já são 6 jogos sem perder pra o "freguês". Dizíamos que a promessa de acerto dos salários no Botafogo e a desclassificação humilhante do tricolor pelo America-RN na Copa do Brasil seriam as condicionantes que poderiam interferir no resultado do jogo, independente das condições técnicas de cada equipe e das posições que ocupavam na tabela. E foi o que aconteceu. O Bota, mesmo desfalcado de Dória e Sheik, entrou com os ânimos revigorados. Produziu um bom jogo e convenceu, enquanto o Fluminense, com Fred e tudo, se mostrou um time acuado e disperso que só despertou no finalzinho quanto teve chances de marcar. Fred inclusive perdeu um pênalti ao isolar a bola pra arquibancada que quase acertou um guarda distraído.  

Veja os lances:




Daniel (19') e Zeballos (21') marcaram para o Glorioso no segundo tempo. Com a vitória sobre o rival no clássico, o Bota pegou o elevador e subiu da 17a. posição para a 12a., com 16 pontos, deixando a zona da degola. Nada mal para quem teve uma semana de horrores.  


Daniel foi o destaque do jogo puxando os contra-ataques com dribles rápidos e um belo gol. Zeballos se recuperou no jogo ao marcar o segundo gol e dar assistência para o primeiro depois de errar muitos passes e se mostrar lento na maior parte do tempo. 

El Tanque foi um gigante em disposição, segurando a defesa adversária em seu campo e dando a assistência para o gol de Zeballos depois de recuperar uma bola quase perdida. Relembrou os tempos do Olímpia-PAR quando os dois jogavam juntos. 

Bolivar foi muito bem e André Bahia deu conta do recado trazendo uma tranquilidade à zaga que a muito não se via com Dória. Ayrton aguentou o tempo todo e fez seu papel de cão-de-guarda com maestria, mesmo tendo sido amarelado ainda no começo do jogo. Gabriel também foi bem mostrando muita disposição. Recuperou muitas bolas depois de saídas erradas do time. Novamente em forma, tomou a posição de titular e só precisa melhorar os arremates em gol. 

Jefferson, dispensa comentários. Foi muito bem em duas ou três intervenções frustrando os atacantes tricolores e melhorou muito a sua saída de bola, principalmente com as mãos.

Vamos em frente que na quarta-feira é a vez do Figueira.

Por @Felipaodf/Botafogodeprimeira.com