quinta-feira, 30 de julho de 2015

Não temos tempo a perder



Só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder... 
(Torquato Neto e Sérgio Brito/Titãs)






Treino de ontem BotafogoOficial

No post do jogo contra o Criciúma, achávamos que o Jair Ventura, treinador interino do Botafogo, quisesse, do fundo de sua alma, uma vitória na despedida da sua curta passagem de três jogos como técnico alvinegro. Ainda mais jogando em casa, diante da torcida, onde poderia coroar seu começo de carreira em um clube de grande projeção. Seria fantástico uma segunda vitória que lhe garantiria um aproveitamento de 77% - 7 pontos em 9 possíveis - contra adversários de renome que tem as mesmas pretensões do Alvinegro na competição.

A vitória seria muito mais significativa diante dos resultados dos adversários na abertura da 15a. rodada, todos favoráveis ao Glorioso. Poderíamos ter colocado uma frente considerável de 4 pontos sobre o segundo colocado e adquirir a tão sonhada gordura a muito tempo esperada pela torcida. Seria o máximo para o time que ganharia a tranquilidade necessária para a sequência de jogos e para o próprio Jair depois de ter vencido o Náutico (1 a 0) em casa e empatado contra o Bahia fora (1 a 1), numa briga direta por posições no G-4. Mas, para decepção dos 5 mil torcedores (sempre os mesmos) que foram ao Niltão numa noite fria e chuvosa do inverno carioca, no horário mais inconveniente do calendário brasileiro, e dos outros milhares espalhados por todo o Brasil, a vitória não veio.

Veja quais eram as expectativas do torcedor para esse jogo em casa contra o time do Pet: Blog do Felipaodf: Jair Ventura quer a vitória sobre Tigre catarinense na despedida como interino 

Faltou inspiração e estratégia de jogo, além do excessivo número de jogadores inexperientes na escalação (penso que a inclusão dos jovens deve ser feita com moderação, em doses homeopáticas para não matar o paciente e para uma melhor avaliação). O que havia sido um trunfo nos dois jogos anteriores, contra o Náutico e Bahia, foi um (quase) desastre contra o Criciúma. Com a presença de Diérson, Fernandes, Gegê e Octávio pelo meio, além de Luis Henrique lá na frente, o time cresceu em combatividade e mostrou uma certa agilidade na transição para o ataque com triangulação pelas laterais do campo e pelo meio poucas vezes vistas em outras jornadas - isso ficou mais nítido no jogo contra o Náutico quando jogamos em casa.

Porém, a ausência de Luis Ricardo pela direita foi determinante para as coisas desandarem contra o Tigre. Perdemos uma de nossas poucas armas que era a troca de passe pela direita em direção ao ataque (pela esquerda ela pouco existiu com Jean e Otávio ou Carleto e Sassá). Seu substituto, o jovem Diego, pareceu assustado com a oportunidade de sair jogando e, muito nervoso, errou tudo que tentou. Melhorou um pouco no segundo tempo mas aí as cãibras o impediram de ousar mais. Luis Ricardo, efetivado como titular depois da saída de Gilberto, estava no seu melhor momento desde que chegou ao clube e fez muita falta no jogo de terça como fará contra a Luverdense, no sábado. Nesses tempos de vacas magras, ele é um dos únicos jogadores do elenco que tem bom trato com a bola (o outro seria o D. Carvalho se estivesse em forma e o LH9, que tem demonstrado potencial nesse quesito quando tem espaço la na frente). Foi do lateral a jogada que originou o gol de Lulinha contra o Timbu numa bela trama de ataque, assim como a do gol contra o Tricolor da Boa Terra depois de uma bela articulação com Otávio, concluída com estilo pelo Luis Henrique dentro da área. Sem ele em campo, faltou qualidade na saída de bola e no passe, que foi um desastre nesse jogo.

E o Botafogo travou. Chegou a ser dominado no segundo tempo pelo aplicado time catarinense, muito bem orientado por Petkovic. Se não fosse o nosso Paredão, poderíamos ter amargado uma derrota com requintes de crueldade caso a cabeçada certeira de Fábio Ferreira não fosse defendida magistralmente por Jefferson, de novo, o melhor em campo.

A missão de Ricardo Gomes, que assume o comando e assistiu a exibição patética do time nas sociais do Niltão com cara de poucos amigos, é dar um padrão de jogo que esse time ainda não mostrou na temporada. Mesclar os garotos formados na base com os cascudos do elenco (alguns esquecidos ao relento e desmotivados) que saibam dosar as forças, orientar a garotada e ditar o ritmo de jogo, já com os novos contratados Bazzalo, Navarro, Lindoso, Serginho e Neilton que devem ser aproveitados imediatamente.

No jogo de terça, não havia nenhum jogador com essas qualidades em campo - os zagueiros não sabem sair jogando; Carleto tá caindo pelas tabelas; Arão parece estar fazendo corpo mole desde que resolveram antecipar a renovação de contrato (o Arão do tempo de René era muito mais interessante, inclusive aparecendo pra conclusão na pequena área). Sem Pimpão, que deixou o clube semana passada, ficamos órfãos de jogadores com condições de protagonizar uma jogada de ataque. Sassá, definitivamente, ainda não é opção para sair jogando. Resultado: mesmo em casa com o apoio da torcida, os garotos sentiram a pressão e produziram muito pouco.

Mas, disso tudo, o mais constrangedor foi ver a inércia de Jair Ventura a beira do campo, principalmente no início do segundo tempo quando o time estava sendo pressionado e por pouco não entregou a rapadura. O mundo desabando na sua frente e ele não se movia pra processar uma substituição sequer - única alternativa no momento, já que não conseguiu fazer o time melhorar de produção na base da conversa. Foi irritante ver sua passividade à beira do gramado olhando seguidamente para o relógio como tivesse programado substituições ditadas pelo tempo - lembrou o "professor" René, daí a nossa irritação. E tome vaias. Conheceu o outro lado da moeda da maneira mais cruel possível.

Poderia mexer em qualquer um do meio de campo, todos jogando abaixo das possibilidades ou mesmo em Sassá - jogador de uma inutilidade gritante quando entra como titular. Nem tentar a inversão de posições entre os atacantes pelo lado, que em outras oportunidades era feito com bom resultado com Pimpão, Jair ordenou. Demorou muito a mexer e mostrou uma insegurança inadmissível pra quem conhece o elenco a muito tempo. Sem Lulinha e Daniel Carvalho, teve que apelar pra Jardel, que voltava depois de longo tempo de recuperação e Fernandes que, a muito tempo, não mostra nenhuma consistência em suas atuações.

O panorama continuou o mesmo até a entrada tardia do uruguaio Navarro que impressionou pela disposição. Escolha acertada mas não no lugar do Luis Henrique, que poderia ser deslocado mais para a esquerda. Deveria entrar no lugar do sempre atrapalhado Sassá e pronto. Com poucos minutos de jogo o estreante mostrou para o que veio. Participou de duas belas jogadas na área e na última delas, quase marca num chute forte ao gol. Seria a consagração do uruguaio que deve arrumar uma vaga rapidinho nesse ataque.

A semana é de ajustes e adaptação do time às concepções de Ricardo Gomes e dele ao clube. Vamos aguardar os treinamentos e torcer para que esse clima de mudança mexa com o grupo, produzindo os resultados esperados pela torcida. E isso, já neste sábado quando o Botafogo recebe o Luverdense no Estádio Nilton Santos, às 16h30, com promoção de ingressos, pra não ter que se preocupar com quem será o segundo colocado.

O Botafogo segue líder isolado da competição com 29 pontos, seguido por Vitória, América-MG e Náutico, todos com 27. Confira a posição de cada time e os próximos jogos na tabela: http://felipaodf.blogspot.com.br/p/carregando-tabela-do-brasileirao_21.html


Por @felipaodf/Botafogodeprimeira.com