segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Refazendo o #PactoAlvinegro



Montagem do Botafogo Oficial
Quem leu o post de pré-jogo contra o Vitória (Blog do Felipaodf: Depois de abater o Dragão no Rio, vamos encarar um Leão em Salvador), lembra como terminamos o nosso texto: "Vamos ver quem vai se dar bem no confronto do líder contra seu vice. Sou mais o Bota desde que encare o adversário baiano com cautela". E foi exatamente o que aconteceu.

O Botafogo veio fechado no começo do jogo, respeitando o time da casa. Morcegando aqui e acolá, tentando iludir o adversário como quem não quer nada. O time carioca agiu talqualmente um bom baiano que não tem pressa que as coisas aconteçam. Por medo? Não. Por pura estratégia de Ricardo Gomes que surpreendeu na escalação. Quase sempre cauteloso, mandou a campo um time mais mexido do que o convencional. Giareta apareceu improvisado na lateral esquerda, Fernandes na armação e Lulinha na ponta, deixando Jean, Elvis, Jardel e Sassá (substitutos naturais dos titulares ausentes) como opções no banco. A ausência de Luis Henrique, que nem viajou, foi uma surpresa à parte que gerou muitas especulações nas redes. Depois foi explicada como opção do treinador pra preservar o jovem atacante da condição de reserva eterno de Navarro.

Depois da exibição de gala em casa, com direito à goleada de 4 a 0 sobre o Dragão Goiano, era de se esperar um Botafogo mais cauteloso diante do vice-líder Vitória jogando no Barradão. Jogamos o jogo como se diz por aí, com um olho no campo e outro na tabela. Mesmo com os sérios desfalques em nossas fileiras, conseguimos manter o padrão demonstrado contra os goianos quando o time entrou focado e atento pra não levar gol no começo do jogo. Seria difícil manter o mesmo ritmo sem Carleto (com todas as restrições técnicas sobre as suas últimas atuações), sem Daniel Carvalho pra dosar as energias e sem Neilton, o melhor em campo nas duas últimas jornadas. Mas o time de Gomes correspondeu.

Mostrando raça e personalidade quando a técnica não ajudava, a equipe se superou e trouxe pro Rio mais três pontos marcantes nessa trajetória. Atuou como campeão diante da torcida baiana, do mesmo modo que fez contra o América-MG, no Independência, na "decisão" de encerramento do primeiro turno. O empate sofrido no fim do jogo (48') depois de sair na frente com um golaço de Navarro foi um balde de água fria na fervura alvinegra. Mas como era um dia Glorioso, heis que surge do nada o Sassá artilheiro pra vencer na corrida e esperteza o já desgastado zagueiro rubro-negro e fazer, com estilo, o gol que resgatou a vitória que parecia escapar pelos dedos. Um alívio imediato para o coração do torcedor. Foi tudo de bom e melhorou muito o fim de semana prolongado dos alvinegros.

Uma vitória daquelas, pra guardar e comemorar no final da jornada. Uma vitória (a segunda sobre o time baiano na competição e sobre times rubros-negros na semana) que aumenta a confiança da torcida no trabalho e do time como grupo, que passa a considerar a possibilidade de título da competição que deve render uns bons trocados como prêmio pelo esforço, além de mais uma taça na pratilheiras de General Severiano.

Com essa vitória fora, o aproveitamento do Botafogo subiu para 60,9%. A equipe já venceu cinco partidas fora de casa e tem a melhor campanha como visitante (50%). São 18 pontos decisivos para a liderança da competição. Como mandante, o aproveitamento é ainda maior e chega a 72,7%, o melhor da competição. Além desses índices, temos o melhor ataque do campeonato, com 37 gols, e a melhor defesa, com 18 gols sofridos.

Cada vez mais líder, agora com 42 pontos, o Botafogo precisa de mais 24 para garantir matematicamente o retorno à elite do futebol brasileiro. Dos 10 jogos marcados para o Nilton Santos nesse returno, perdemos um e ganhamos outro quando era necessário ganhar todos para garantir essa condição. Ao vencer o Leão em seus domínios, zeramos o déficit dessa conta e vamos com tudo para cima do Paraná cumprir essa missão.

Vejo esse jogo contra o time paranaense como mais importante do que foi contra o Vitória onde o empate poderia ser considerado um resultado aceitável. Vencer o próximo jogo no Nilton Santos, onde a torcida deve comparecer em grande número pra celebrar a liderança isolada e os últimos resultados, será fundamental para o restabelecimento #PactoAlvinegro duramente arranhado com a derrota para o Papão, na festa das camisas que abriu o segundo turno.

Precisamos vencer a qualquer custo apesar do Paraná, que soma 32 pontos, ocupa a 10a. posição e vem de uma boa vitória sobre o Bahia, estar num viés de alta na competição com quatro vitórias e apenas uma derrota nos últimos cinco jogos.

Numa análise rápida da tabela após a 23ª rodada (clique e veja a situação de cada time, bem como os próximos confrontos de cada um: http://felipaodf.blogspot.com.br/p/carregando-tabela-do-brasileirao_21.html ), podemos dizer que onze equipes brigam por uma posição no G-4 sem que nenhuma delas tenha conseguido se desgarrar no grupo.

O Criciúma, que ainda não jogou nessa rodada, tem 32 pontos e fecha esse grupo na 11ª posição. Uma diferença de dez pontos do líder Botafogo, que tem 42. O vice agora é o Paysandu, que venceu o Boa e chegou a 40 pontos. Confirmando sua ascensão na tabela, o Sampaio Corrêa (39) ocupa a 3ª posição com o Vitória (38) caindo para 4º. Em seguida temos o Bahia (38), Náutico (36), América-MG (35), Santa Cruz (35), Bragantino (34) e Paraná (32) brigando por uma vaga no G-4.


Clique e veja os lances da boa vitória sobre o segundo rubro-negro da semana

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Helton Leite ia bem no jogo até falhar feio no gol de empate do zagueiro grandalhão do Vitória, o mesmo que havia sido "testado" no drible desconcertante de Lulinha no 1o. tempo que o deixou no chão quando o atacante esteve perto de abrir o placar e se enrolou no arremate.

A zaga deu conta do recado e, mesmo batendo cabeça em alguns momentos como no lance do gol, consegui manter-se como a menos vazada do campeonato. Giaretta se perdeu em alguns lances atuando pela lateral, mas mostrou força física e disposição pra fechar a Av. Carleto (quase conseguiu).

Arão se destacou nos desarmes e mostrou boa movimentação ao se projetar nas jogadas de ataque. Seu entusiasmo acendeu o time. Quase deixou o dele num bom chute de fora da área. Fernandes mostrou pouca mobilidade pelo meio (estaria fora do peso?) apesar de ter ajudado na marcação. Levou um amarelo muito cedo e se apagou no jogo até ser substituído. Elvis, mesmo estando a meia boca, entrou e fez o seu papel na armação com boa participação nas jogadas de ataque. Foi dele o passe de cabeça para o voleio de Navarro.

Sem ritmo de jogo, Lulinha ciscou muito enquanto aguentou. Teve chances de abrir o placar mas faltou decisão nas conclusões, típicas de quem tá parado a muito tempo. Navarro pouco apareceu no jogo mas deixou o seu, num golaço de voleio. Confirmou o bom momento que atravessa ao marcar novamente. A torcida, entusiasmada com o gringo, agradece. O uruguaio já é o segundo artilheiro do time na temporada com 6 gols em sete jogos, o que é uma grande marca. O primeiro posto ainda é de Pimpão, com 7 gols, que deve ser alcançado brevemente. Espero!

Montagem do Botafogo Oficial
Mas, o "nome do jogo" pra torcida, conforme eleição do Botafogo Oficial, foi Sassá que sempre mostra força quando vem do banco. Gomes lançou o atacante na posição de centro-avante por acreditar ser essa a sua verdadeira posição (jogou assim na base e no Náutico, quando esteve emprestado no ano passado). A entrada no lugar de Navarro acabou dando certo. Rápido como um azougue, Sassá atropelou o marcador na velocidade (aquele mesmo que marcou o gol do Vitória) e marcou com estilo um gol que ele deve estar comemorando até agora.

Com o gol decisivo, a confiança do jogador, que trabalhou bem durante a semana, e do técnico nele deve aumentar nesse fim de temporada aumentando as oportunidades.

Ah, ia esquecendo: sobre a presença do técnico Vagner Mancini à beira do campo e de Marcelo Mattos com a camisa do adversário, não tenho nada a comentar até porquê as presenças deles, sem menosprezo nenhum, nem foram notadas. Acho que Mattos até levou um amarelo... É isso produção?

Outro detalhe: jogar com um árbitro de Série A (Anderson Daronco (RS) auxiliado por Rafael da Silva Alves (RS) e Jorge Eduardo Bernardi (RS)) depois de tanto tempo, além de diminuir a ocorrência de erros bizarros contra, como os registrados nas últimas partidas, foi um sinal de prestígio para o "clássico" entre o líder e o vice da competição (quase uma decisão da Série B) e um respeito aos pedidos dos alvinegros.

Para o jogo contra o Paraná, na terça-feira, no Nilton Santos com capacidade ampliada, a única certeza é a presença da torcida. Com ingressos que vão 10 a 60 reais, acredito num público superior a 15 mil, mesmo para um jogo à noite, com início programado para às 19 horas quando as vias que levam ao estádio devem estar super congestionadas.

Vá de trem, de carona, a pé, torcedor alvinegro! O negócio é apoiar o time nas arquibancadas em busca dessa vitória.