segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O convívio no lar não anda muito bom... Talvez uma terapia familiar resolva tudo para o ano que vem.




Transtornado com as vais ao time, Arão concedeu
 entrevista polêmica ao final do jogo
Com esse título, resumimos o que foi o Botafogo diante do Santa Cruz no Nilton Santos, um jogo após conseguir o acesso. Um time apático que, em momento algum, retribui o carinho da torcida que compareceu em bom número à nossa casa para comemorar o feito. Fomos facilmente batidos pelo adversário sem que tenhamos esboçado uma reação convincente. E a torcida, essa sim, reagiu da forma que entende, receosa que está com o futuro de incertezas que tem pela frente, agora na Série A. Vamos precisar de muita terapia familiar pra conseguir a esperada reconciliação. O título em Brasília, com a presença de Jefferson, é o bastante?


Depois de garantir o acesso com uma vitória sobre o Luverdense, o Botafogo frustou a torcida que compareceu ao Nilton Santos ao ser derrotado implacavelmente pelo Santa Cruz por 3 a 0 e adiar a chance de conquista do título. 


Com o resultado inesperado, a possibilidade agora foi transferida para Brasília, onde o time encara o ABC já rebaixado, no Mané Garrincha, considerando-se que o seu principal perseguidor, o América-MG, também foi derrotado no fechamento da 36a. rodada pelo brioso Paraná, por 1 a 0, mantendo-se a cinco pontos do Líder. Confesso que assisti ao jogo e sequei muito o time mineiro para que as coisas chegassem a essa condição. Tudo pelo Botafogo, até mesmo quando ele prevarica com a gente.


Com o acesso garantido com três rodadas de antecedência, o título virou questão de honra nesse final de temporada. O Botafogo é o time mais tradicional da competição, o mais eficiente em todos os parâmetros de avaliação e a torcida sabe disso. Por isso, a grande decepção dos mais de 23 mil Alvinegros que compareceram ao Nilton Santos (e dos mais de 3,5 milhões de torcedores espalhados pelo Brasil) com o resultado. Uma derrota acachapante com uma exibição abaixo da crítica. A torcida carioca sentiu o golpe e reclamou com razão já que essa não foi a primeira vez que encheu o estádio e voltou pra casa decepcionada. Há, entre os torcedores mais radicais, quem não queira comemorar o título mas não podemos esquecer que a premiação prometida aos jogadores pelo acesso tem origem no prêmio em dinheiro da CBF ao campeão e a conquista terá uma grande importância para esse grupo de jogadores que, em sua maioria, são desconhecidos e carentes de projeção. Todo mundo ganha com a conquista: o clube, os jogadores e até esses torcedores mais radicais que podem virar essa página triste da nossa história sem maiores sequelas. É só pensar na situação caótica que seria se o título não vier.


A única compensação de todo esse desastre é que o nosso JEFFERSON terá a chance de puxar a volta olímpica pela conquista de um título nacional no Mané Garrincha, a segunda casa do Botafogo no Brasil. Ele merece essa honraria depois de escolher ficar no Glorioso para a disputa da Série B, sabendo que tinha mercado pra se transferir para qualquer time brasileiro e jogar a Série A.


Voltando ao jogo, podemos até achar algumas explicações para esse tropeço (mais um no Nilton Santos cheio) se olharmos para a escalação que foi a campo. Ainda sem Jefferson, que continua a serviço da Seleção (inexplicavelmente sentado no banco), Helton Leite não comprometeu, não sendo esse um dos motivos do fracasso na partida. O goleiro, inclusive, chegou a fazer defesas importantes lembrando o titular, pressionado que foi pelos atacantes pernambucanos que rondaram a área alvinegra com certa facilidade.


Se olharmos a formação da zaga, começamos a encontrar problemas. Mesmo com os dois laterais titulares - sabidamente fracos e inconstantes - o miolo mostrou falhas de coordenação com a ausência de Renan Fonseca. Sem o nosso xerife em campo, R. Gomes optou por deslocar Roger Carvalho para a direita e lançar Giaretta pelo lado esquerdo. Com essa formação, a zaga mostrou um desentrosamento nas ações de cobertura o que comprometeu todo o sistema defensivo. Jogando em linha, mostrou uma insegurança que a muito tempo não se via tão intensa. Literalmente, bateram cabeça.


Na proteção à zaga, nenhuma modificações em relação ao último jogo. Ricardo Gomes repetiu o trio de volantes, com Lindoso, Camacho e Arão. Mas, como Camacho não goza de prestígio junto a torcida - com toda a razão, devido ao baixo rendimento nas partidas em que atuou -, o jogador foi vaiado desde o começo da partida o que prejudicou mais ainda a sua atuação, a ponto de forçar o técnico a queimar uma substituição no intervalo do jogo, com Fernandes voltando em seu lugar.


Jogando em casa e precisando do resultado, a torcida esperava que Gomes entrasse com Fernandes desde o começo, tornando o time potencialmente mais ofensivo. Mas, cauteloso em razão do jogador estar voltando depois de longo período afastado por contusão, o treinador preferiu manter a formação que conseguiu o acesso diante do Luverdense, e não pode ser condenado por isso. Pois bem, Fernandes entrou, se mostrou disperso na maioria dos lances em que participou e nada mudou na forma do time atuar. Outro que decepcionou nessa partida.


Mais a frente, residiu o principal problema da equipe. A ausência de Daniel Carvalho foi muito sentida pelo time que não viu em Jardel um substituto à altura. Houve pouca criação de jogadas de ataque onde Navarro, fora das suas melhores condições, não apareceu. O gringo, muito inibido, foi figura apagada enquanto esteve em campo até ser substituído por Ronaldo que, em minha opinião, deveria ter começado o jogo aproveitando a maré de boas atuações que teve contra o Criciúma, quando meteu dois balaços na trave apesar do time sair derrotado, e contra o Luverdense, onde foi efetivo e marcou o gol do acesso. Ricardo Gomes já havia feito isso com Sassá quando o jogador começou a decidir partidas na sua melhor sequência do ano, antes de se contundir. Mas é fácil falar depois do jogo, né?


Sobre Jardel, o jogador mostrou novamente que falta personalidade para concentrar as jogadas e conduzir o time em campo. Tem bom toque de bola mas lhe falta o principal - ser decisivo nas jogadas importantes. Com posicionamento diferente de D. Carvalho, que joga mais fixo pela direita, Jardel teve várias oportunidades de decidir a partida no 1o. tempo se posicionando mais dentro da área. Mas faltou aquele algo mais típico dos artilheiros. É mais um jogador que deve ser dispensado.


O mesmo ocorre com Elvis que entrou em seu lugar, aos 20min do segundo tempo. O jogador tem bom trato com a bola, é rápido mas não conseguiu acertar o time. Parece conformado com a reserva e entra em campo como soubesse que vai ser dispensado. Sobrou até para Neilton que, muito marcado, quase não levou vantagem sobre a zaga pesada do Santa. Mesmo deslocando-se de sua posição original pela esquerda, o jogador não consegui manter o desempenho de outros jogos e sucumbiu com o time.


Levamos três gols parecidos com a bola sendo lançada nas costas dos laterais e desatenção no miolo da zaga. O velho Grafite se deu bem marcando um gol e dando assistência pra outro. De novo, o atacante marcou contra o Botafogo como havia feito na sua estreia pelo time pernambucano no 1o. turno, em Recife. Veja como foi aquela partida: Blog do Felipaodf: Tudo por um gol... Tudo por uma vitória pra espant...


O Santa Cruz foi mais organizado quase todo o jogo, mas só chegou aos gols no segundo tempo. Por sua vez, o Botafogo só melhorou depois da parada técnica no 1o. tempo quando começou a controlar o jogo. Ameaçou o gol adversário mas não conseguiu abrir o placar. No começo do segundo tempo, o SC voltou a pressionar e Lelê, aos 5min, marcou o primeiro recebendo passe de Grafite que estava no mais absoluto impedimento, estranhamente ignorado pelo bandeirinha e por Heder Roberto Lopes, o árbitro da partida; Grafite, aos 22min, marcou o segundo; e Bruno Moraes, aos 30min, marcou o terceiro dando números finais a partida. O primeiro gol em flagrante impedimento desestabilizou o time e minou a paciência da torcida. Daí pra frente nada mais funcionou para o Botafogo.


Reveja os gols da partida e o posicionamento da nossa zaga nos lances 

  


Olha o que escrevemos sobre o trio de arbitragem no nosso post de pré-jogo (Blog do Felipaodf: Depois de garantir o acesso Botafogo busca o títul...): "A arbitragem é de Série A com Heber Roberto Lopes (Fifa-SC) no apito e Kléber Lúcio Gil (Fifa-SC) e Carlos Berkenbrock (SC) como Auxiliares, o que não quer dizer muita coisa diante do padrão da arbitragem brasileira". E foi aquilo que vocês viram, né?


El Loco Abreu foi ao jogo e não gostou do que viu
A decepção era grande entre os botafoguenses presentes ao Nilton Santos, inclusive o ex-jogador Loco Abreu que, no dia anterior, foi homenageado pela TO Loucos pelo Botafogo com a inauguração da sua imagem eternizada no Muro dos Ídolos, em General Severiano. Ao final da partida, El Loco deu entrevista dizendo que não gostou do que viu e mostrou preocupação com a formação do elenco para a disputa da Série A no ano que vem, onde mantém esperanças de ser incluído.


Deu no que deu e agora, é juntar os cacos, rumar para a Capital e buscar o título.


Classificação dos dez primeiros colocados
faltando duas rodadas para o final
Faltando duas rodadas para o final - 6 pontos em disputa - e tendo somado 68 pontos contra 63 do 2o. colocado, o América-MG, o título virá em Brasília caso o Bota vença o ABC. Chegaríamos a 71 pontos enquanto o Coelho poderia chegar, no máximo, a 69 pontos caso vença os dois jogos que tem pela frente, inclusive o último contra o próprio Botafogo, no Rio. 


Esse é o panorama para a reta final do campeonato que promete ainda muitas emoções já que, além do Botafogo classificado e América-MG e Vitória muito bem encaminhados, o Santa Cruz ganhou força extra com a vitória sobre o líder e mantem, com unhas e dentes, a quarta posição. Seguem com chances o Bragantino em quinto, o Náutico em sexto e o Sampaio Corrêa em sétimo, todos com 57 pontos. O Paysandu, oitavo colocado, tem chances remotíssimas enquanto o Bahia, cotado como um dos favoritos ao título ao lado do Bota, vai amargar mais um ano na Segundona.


Confira a tabela completa e os próximos jogos que faltam para o Botafogo e todos os concorrentes em>http://felipaodf.blogspot.com.br/p/carregando-tabela-do-brasileirao_21.html



Situação do Botafogo na competição
 após a 36ª rodada

Veja os números do Alvinegro na tabela ao lado. Mesmo com a derrota inesperado no sábado, continua líder com 68 pontos. O aproveitamento que era de 64,8%, caiu para 62% mas isso já não tem mais importância. Agora são 20 vitórias, 8 empates e 8 derrotas. Temos ainda o melhor ataque, com 58 gols e a melhor defesa, com 29 gols contra, o que dá um saldo de 29 gols.


Claro que não serve de consolo, mas alertávamos antes do jogo que o fato de termos o acesso antecipado em nada facilitaria a tarefa de conseguir uma vitória nesse jogo. O Santa Cruz brigava por posições no G-4 e seria, como foi, um adversário duríssimo. O time pernambucano vinha de uma arrancada com três vitórias seguidas (agora quatro) e a expectativa era a de que teríamos um grande jogo. E tivemos mesmo, pelo menos do lado do Santa Cruz que se mostrou organizado em campo e dominou o jogo diante de uma apatia descomunal do Botafogo.


Mas vamos em frente que o título está próximo, até porquê eu quero ver de perto tudo isso. Saudações e fiquem a vontade para comentar!


Por @felipaodf/Botafogodeprimeira.com