sábado, 23 de abril de 2016

Boa campanha não serve pra nada. O que vale é título!


Essas foram as palavras do técnico Ricardo Gomes sobre a situação do Botafogo às vésperas do jogo decisivo contra o Fluminense




Chamada para o jogo (Botafogo Oficial)
Isso porquê, na visão do treinador, de nada vai adiantar ter feito a melhor campanha da primeira fase e ter trazido o time até a semifinal sem grandes sustos se não vencer o jogo de hoje e chegar à disputa do título. E você, torcedor, também pensa assim?


Ainda na entrevista de sexta-feira, Gomes lembrou os dois jogos que fez contra o Tricolor esse ano - uma vitória incontestável por 2 a 0 na primeira fase e um empate de 1 a 1 cedido já nos acréscimos, no clássico que abriu a Taça Guanabara, vencida pelo Vasco. Falou da evolução do adversário sob o comando de Levir desde que o técnico assumiu o cargo, um jogo antes do clássico na TGB. Por tudo, não vai ser fácil vencê-los no terceiro confronto desse ano, concluiu.


"Nos precisamos da vitória porque boa campanha não serve para nada. O que vale é título" (Gomes, Ricardo). É com esse espírito que vamos para o embate contra o Flu que pode nos levar às finais do Carioca contra o vencedor de Vasco e Flamengo, que jogam a outra semifinal horas antes em Manaus.


Por circunstâncias da disputa, Gomes não poderá contar com Aírton que se recupera de um lesão grave na coxa o início do mês. O jogador ficou ausente dos últimos jogos e tem chances remotas de voltar na última partida das finais, caso o Botafogo passe pelo Fluminense. A ausência do jogador, homem-base do esquema com três volantes que deu padrão tático à equipe e sustentou a campanha do time até aqui, obrigou o treinador a mudar o esquema para o 4-4-2 que, por falta de jogadores mais tarimbados, não funcionou a contento contra o Boavista. Com isso, persiste a desconfiança da torcida se essa formação, que ainda precisa de ajustes, vai funcionar contra o Tricolor no domingo quando só a vitória interessa.


Veja o que escrevemos sobre o tema: Sem poder contar com Aírton, Gomes arma time ofensivo...


Cumprindo um roteiro pré-estabelecido na sua cabeça, já que não dispõem de um elenco farto e muito menos equilibrado, Gomes começou a semana prestigiando o jovem Leandrinho, que mostrou personalidade e desenvoltura na partida contra o Boavista, arrumando uma vaga para ele no time titular. O jovem meia de 19 anos marcou o gol único daquela partida e foi muito festejado pelos companheiros por ter sido o primeiro dele com a camisa alvinegra nos profissionais.


Com essa mexida, Salgueiro volta a jogar mais adiantado num espaço próximo a Ribamar já que o meia não teve boa participação como articulador do time contra o Boavista quando o esquema com dois atacantes foi efetivamente testado. Dessa forma, quem deixa o time é Neilton que ainda não deslanchou na temporada.


Na minha visão, além de prestigiar um jogador que vem treinando muito bem desde que foi promovido aos profissionais e passa por um ciclo ascendente no grupo, Gomes introduz um elemento novo no tabuleiro tático da partida, tentando confundir a cabeça do técnico adversário com os poucos recursos que tem.


Por outro lado, o treinador preservou Fernandes durante toda a semana já que o meia vem de lesão desde o jogo contra o Bangu, justamente quando substituía Aírton. Fernandes é a primeira opção para ocupar uma das posições no tripé de volantes adotado por Gomes desde a primeira fase. Jogando a maioria das partidas com essa formação, vencemos os dez jogos contra os "pequenos" e dominamos os adversários nos cinco clássicos disputados até aqui. Ao tempo que poupou Fernandes dos trabalhos táticos, até pra não dar armas ao adversário, Gomes motivou o jogador pessoalmente já que ele, pelo visto, demonstra pouca gana pela vaga de titular.


A dúvida sobre qual jogador escalar para começar o clássico mais importante do ano é um trunfo extra que Gomes promete levar até instantes antes da partida. Intimamente ele já decidiu mas não revela a opção. Isso serve para manter o foco dos dois jogadores candidatos à vaga e para provocar dúvidas no lado adversário sobre qual estratégia utilizar na partida.


Infográfico com o rendimento do Botafogo na Taça GB
que se encerrou no domingo (Gazeta Esportiva)
Entre as opções, Fernandes é o mais tarimbado, mais experimentado nos grandes jogos, chega bem na frente para o arremate mas vem de contusão e não é muito vibrante nas partidas. Com ele em campo, Gomes poderia reeditar o esquema de marcação cerrada no campo adversário, característica da formação com os três volantes, e vigiar os contra-ataques do Fluminense. Já Leandrinho, nas oportunidades que teve mostrou categoria no toque de bola, dinâmica na distribuição do jogo, joga mais adiantado, tem faro de gol e, teoricamente, se ajustaria melhor ao esquema 4-4-2 mais ofensivo. Porém, seria a sua primeira vez como titular e justamente num clássico decisivo. Quem teria segurança e tranquilidade para escolher um dos dois para um jogo com esse grau de dramaticidade? E você, torcedor, já fez a sua opção? Comente a situação ao final do post!


Precisando vencer de qualquer forma, o contestado ataque alvinegro volta ao centro das discussões justamente quando o time precisa de inspiração extra lá na frente. Com o sistema defensivo relativamente ajustado - sofremos apenas sete gols na competição e temos a defesa menos vazada até aqui - o ataque foi o grande problema do time desde o início da temporada.


Veja o que escrevemos sobre o tema: Blog do Felipaodf: O último terço 


Nos quinze jogos disputados no Carioca, os placares foram sempre modestos - nenhum superior a dois gols. Marcamos apenas 20 gols, a menor produtividade entre os quatro rivais que disputam as semifinais.


Provável time do Botafogo para enfrentar o Fluminense em 
Com todos os jogadores inscritos à disposição do técnico (exceto Aírton) o Botafogo deve ir a campo com Jefferson, Luís Ricardo, Joel Carli, Émerson e Diogo Barbosa; Rodrigo Lindoso, Bruno Silva, Fernandes (Leandrinho); Gegê, Salgueiro e Ribamar.


Mesmo que opte por uma formação mais ofensiva com Leandrinho, Gomes pode lançar mão de outra ainda mais agressiva com Neilton e Luís Henrique entrando nas vagas dos meias Salgueiro e Gegê, já que experimentou essa possibilidade nos treinamentos e pode se decidir por ela dependendo do andamento do jogo.


No treino apronto de sábado em General Severiano, Ricardo Gomes ensaiou jogadas de bola parada que podem decidir a questão, já que a perspectiva é a de que tenhamos uma partida truncada e de muita marcação. Nessa especialidade, contamos com a eficiência do zagueiro Émerson, o canhão de General, que volta ao time depois de um longo período de recuperação. Reveja o golaço que o jovem zagueiro marcou contra o Vasco ainda na primeira fase do campeonato e aproveite pra ver a matéria do jogo: Botafogo ganha personalidade e equilíbrio após os ...


Pelo lado das Laranjeiras, o time foi à Juiz de Fora no meio de semana onde venceu o Atlético-PR na disputa do título da Copa da Primeira Liga. Se por um lado eles vem com uma motivação extra pela conquista de um torneio que eles mesmos criaram e que, na zoação do torcedor, é um título que ninguém "liga", por outro, devem chegar mais desgastados à Volta Redonda para a briga por vaga nas finais, no domingo, com Fred e tudo. Além disso, eles vem com uma vantagem que pode fazer diferença no final: jogar pelo empate.


FICHA TÉCNICA:

FLUMINENSE X BOTAFOGO

Local: Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda (RJ)

Data: 24 de abril de 2016, domingo
Hora: 19h (de Brasília)

Árbitro: Rodrigo Carvalhaes de Miranda
Assistentes: Michael Correia e Diogo Carvalho Silva


BOTAFOGO: Jefferson, Luis Ricardo, Joel Carli, Emerson e Diogo Barbosa; Rodrigo Lindoso, Bruno Silva, Leandrinho (Fernandes) e Gegê; Salgueiro e Ribamar
Técnico: Ricardo Gomes

FLUMINENSE: Diego Cavalieri, Wellington Silva, Gum, Henrique e Giovanni; Pierre, Cícero, Gerson e Gustavo Scarpa; Osvaldo e Fred
Técnico: Levir Culpi


Saudações a todos e fiquem à vontade para comentar.



 Por @felipaodf/Botafogodeprimeira.com