sexta-feira, 3 de junho de 2016

Nos perdoe, Mané...




Imagem de Mané Garrincha 
(Montagem disponível na internet)
Evoquei, no post de pré-jogo (clique e veja: Sob as bênçãos de Mané, Botafogo tenta a segunda v...), o santo nome de Mané Garrincha para abençoar o nosso Botafogo no jogo que faria em Brasília contra o Cruzeiro. Até então o time mineiro era o vice-lanterna do campeonato com dois pontos ganhos e não havia vencido nenhum jogo em quatro rodadas.

Que Garrincha, de onde estiver, me perdoe. Nunca mais farei isso. Não previ que o time que vestiria a camisa alvinegra nesse dia seria tão apático e ruim tecnicamente a ponto de envergonhar a sua torcida.

Pois bem, o time escalado por Gomes na noite de quarta-feira nos envergonhou a todos, os que estavam no estádio como eu, como os amigos de camisa espalhados pelo Mundo. O mando era nosso mas quem tomou conta da partida foi o Cruzeiro, principalmente no primeiro tempo quando o Botafogo, com pouquíssima inspiração e nenhuma transpiração, levou um vareio e só não saiu para o intervalo com uma goleada histórica por pura sorte.

Em minoria no estádio - o que pode ser um sintoma dos descaminhos do clube nos últimos anos -, tentamos acordar o indolente Botafogo na base do grito mas o bando que se apresentava em campo não ajudava e nem os azuis na arquibancada admitiram. Pouco mais de 7 mil torcedores tiveram a coragem de desembolsar 70 e 50 reais a meia entrada nos dois setores disponibilizados, para assistir a partida.

Os dois clubes buscavam a reabilitação no campeonato já que vinham de resultados desfavoráveis no último fim de semana. O Alvinegro foi derrotado pelo Fluminense em Volta Redonda e tinha como objetivo a segunda vitória na competição. Já a Raposa não passou de um empate no clássico mineiro contra o América e ainda buscava a sua primeira vitória.


Veja como foi a recepção da torcida alvinegra aos jogadores na chegada à cidade: Torcida alvinegra faz festa na chegada do Botafogo à Brasíli...


Tabela de classificação dos 10 últimos times no 
Brasileirão após a 5a. rodada (Gráfico do SporTV)
Sem tempo para treinar, sem estádio no Rio e assustado com o número alarmante de lesionados no grupo, fruto da maratona de viagens e jogos contra o Sport, Atlético-PR e Fluminense - só para se ter uma ideia, estão estregues ao departamento médico o capitão Jefferson, Carli, Rodrigo Lindoso, Luis Henrique, Airton, Diogo Barbosa e agora, Luis Ricardo - o técnico Ricardo Gomes mandou a campo um time estranho para a torcida, que nunca havia jogado junto.

Com a baixa de última hora do lateral-direito titular, Diego veio pra partida ao lado de Emerson Santos, que joga torto pela direita, formando o setor que se mostrou mais vulnerável da nossa defesa onde o Cruzeiro se criou e venceu o jogo.

Completando a cozinha, Emerson Silva e Vitor Luis fizeram as suas piores partidas desde que chegaram ao clube, principalmente na saída de bola. Do meio pra frente, as maiores surpresas: Dierson, que parecia morto e sem chances, foi ressuscitado pelo técnico e ganhou uma vaga na cabeça de área ao lado de Fernandes que não leva muito jeito pra jogar nessa função. Formando o suposto trio de proteção à zaga, vimos o inoperante e desinteressado - nessa e pelo menos nos últimas cinco partidas do time -, Bruno Silva que errou quase tudo no jogo. Tudo isso, com o experiente Dudu Cearense no banco, pronto pra estrear.

Na meia, ninguém ou seria o Salgueiro? Se foi, ninguém viu. O gringo sumiu no jogo e não conseguiu acertar nada enquanto esteve em campo. Substituído no intervalo por Leandrinho, foi tomar banho mais cedo. Na frente, o inexpressivo Anderson Aquino, que ganhou a chance de começar a partida como titular ao lado de Ribamar - mais trombador do que nunca e sem nenhuma intimidade com a bola, como sempre.

O jovem atacante teve a melhor chance de empatar o jogo ao ficar cara-a-cara com o goleiro Fábio. Por mérito, se livrou na raça de dois marcadores mas tropeçou na bola na hora de decidir o lance. Acabou substituído por Sassá que também trombou com a zaga o tempo todo e quase consegue o gol de empate num cabeceio preciso que explodiu no travessão. Tudo isso no segundo tempo, depois do esporro do treinador no vestiário e dos ajustes que fez na equipe ao tirar Salgueiro e lançar Leandrinho. O meia, juntamente com Neilton que entrou no lugar de Fernandes, deu outra dinâmica ao time que esteve a um passo de conseguir o empate obrigando Fábio a trabalhar já que o goleiro foi um mero repositor de bola no primeiro tempo quando a supremacia do Cruzeiro foi gritante.

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, o esforço derradeiro não foi o bastante porque esbarrou no velho problema do time na temporada: a falta de qualidade e inspiração de seus atacantes. Ribamar, Sassá, Anderson Aquino e Neilton passaram em branco novamente como já havia acontecido no jogo em que foram derrotados pelo Fluminense.

O Cruzeiro venceu com um gol de Elber aos 26 minutos do primeiro tempo. Robinho, ex-Palmeiras, lançou o atacante cruzeirense pela esquerda que entrou na área, passou pelo zagueiro e lateral alvinegros e chutou por entre as pernas do goleiro Helton Leite. Uma vergonha em preto e branco.

Após a derrota, Ricardo Gomes disse que nunca mais queria ver esse 1º tempo como aquele - e nem a gente, digo eu - e elogiou a mudança de postura do time após a bronca no intervalo. O técnico ainda afirmou que, por enquanto, não se preocupa com a colocação do time próximo ao Z-4 e cravou que daqui a 10 rodadas estaremos na parte de cima. É pra ser cobrado!


Infográfico com a colocação e rendimento do Botafogo
após a 5a. rodada do Brasileirão (Gazeta Esportiva)
Com a derrota para a Raposa, o Botafogo deixou a 13a. posição na tabela e caiu para a 16ª, segurando a chave da porta do inferno do Z-4. Segundo os matemáticos de plantão, precisaremos somar 46 pontos para nos livrar-nos do fantasma do rebaixamento e sem somar pontos na rodada, continuam faltando 42.

Em cinco rodadas, o Botafogo conseguiu uma vitória (ATL-PR), um empate (SPO) e foi derrotado três vezes (SPA, FLU, CRU). Com isso o índice de pontos conquistados caiu de 33% para 26% - 4 pontos em 15 possíveis. Dos 19 jogos previstos como mandantes, perdemos dois e vencemos um, lembrando que no jogo de domingo, em Volta Redonda, o mando foi do Fluminense e o em Brasília foi nosso.


Veja a tabela atualizado do Brasileirão e a relação dos jogos do Botafogo na competição: http://felipaodf.blogspot.com.br/p/classificacao-carregando.html

O time voltou aos treinamentos hoje pela manhã em General Severiano visando o compromisso contra o Santos, no próximo domingo, no Pacaembu-SP. Só os jogadores reservas, reforçados pelo goleiro Helton Leite e o meia Salgueiro, trabalharam taticamente com o treinador. Os titulares fizeram uma corrida leve em volta do campo pra preservarem a musculatura.

Saudações a todos e fiquem à vontade para comentar.


Por @FelipaoBFR/Botafogodeprimeira.com